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sábado, 5 de outubro de 2013

1 Dia, vou embora.

Depois de amanhã vou embora.
Depois de amanhã deixo as pessoas que enchem o meu coração e a minha vida - o meu pai, a minha mãe e o meu irmão.
Depois de amanhã começo uma nova etapa e provavelmente a mais difícil da minha vida.
Não estou preparada, não quero ir e já está a ser muito difícil.
Já choro, já tenho "uma bola na barriga" que me impede de comer, já olho para tudo e todos cá em casa com saudades.
Vivo estes dias com um aperto no peito e um peso na consciência de deixar os meus para trás. Porque apesar de ser preciso, sinto sempre que poderia haver outra solução. Mas a verdade é que as que existem não são nada satisfatórias.
Espero que corra bem, espero superar as saudades. Mas acima de tudo espero que os meus pais e o meu irmão fiquem bem, que também se adaptem bem e que sintam orgulho de mim. Porque sei que no fundo eles pensam que o meu lugar é aqui com eles e é. Pode não ser na mesma casa, na mesma freguesia, mas deveria ser muito mais perto do outro país.
Mas este é o meu destino, por enquanto. Vou arriscar, largar, chorar, chorar muito. Vou estar triste, vou arranjar forças não sei onde para me adaptar. Vou ver se gosto do trabalho, do local. E sei que se algo correr mal, vou tê-los sempre aqui à minha espera.
Não sei quando volto a escrever pois não sei se vai apetecer-me e nem sempre vou ter internet disponível. Não sei o que vai acontecer no momento em que virar as costas e ir em direção a outro destino.
Só espero que Deus me dê força, a mim e aos meus amores que ficam cá, e ao meu amor que vai comigo. Ele vai ser a minha força lá. É o meu melhor amigo e será ainda mais. Será a minha companhia e o meu pilar, ainda mais do que tem sido. O destino agora é nosso.. vamos esperar pelo melhor.

Só espero que esta "bola na barriga" passe e a vontade de vomitar constantemente desapareça. O resto, o resto logo se vê.


sábado, 31 de agosto de 2013

Emigrar

O dia está cada vez mais perto e não consigo sentir-me totalmente feliz. Não é a adaptação que me preocupa. É o deixar a minha família linda, maravilhosa, querida e perfeita.
Vamos estar longe, mas sempre perto. Vai custar-me tanto que nem sei como vou ser capaz. Mas se os outros conseguem, eu também consigo.
Como diz a minha mãe "Queres ficar cá e sentir-te frustrada por trabalhares num supermercado?". Isto não porque é mau trabalhar num supermercado mas porque eu estudei, esforcei-me e quero exercer aquilo para o qual me "esfolei" a trabalhar.

Bem.. as coisas mudam mas a vida continua. Vamos ver como é que vai correr.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Ajudem.

Hoje recebi um pedido de uma amiga, um pedido especial.
Infelizmente está a passar novamente por uma fase muito difícil e a felicidade de toda a sua família depende da ajuda de outras pessoas. Fica aqui a mensagem deixada por ela no facebook, juntamente com a notícia que colocaram hoje no Diário de Notícias da Madeira.

"Olá pessoal. Esta é a minha irmã Rubina. Como muitos de vós sabem ela esta a atravessar uma fase muito muito difícil da vida dela, e consequentemente eu e a minha família também. A minha irmã descobriu que tem um Linfoma a cerca de 1 ano e 3 meses e desde então tem lutado contra o mesmo com vários tipos de quimioterapia e radioterapia mas as coisas não estão a correr bem. Ela agora precisa de um medicamento que é a cura para esta doença mas o medicamento custa 90 mil euros. Venho por este meio solicitar a ajuda de todos para que ela consiga ter o medicamento e poder viver por muitoss mais anos. Peço-vos que partilhem esta mensagem para que haja o máximo de pessoas possível a ajudar.
Foi criada uma conta no Banco Caixa Geral para quem possa contribuir. 
O NIB é 0035 0336 0069 7188 1007 6.
Nem que seja 1euro já fará a diferença.
Obrigada a todos."

Acrescento ainda que esta minha amiga será a dadora da irmã. Falta apenas este tratamento medicamentoso para avançarem com tudo isso. Peço que colaborem de qualquer maneira, nem que seja passando a palavra. Lembrem-se que toda a ajuda é preciosa e fará a diferença.

Obrigada :)

terça-feira, 16 de abril de 2013

Estado de Espírito

Se existem fotos minhas que, por vezes, descrevem o meu estado de espírito, esta é uma delas:

 
 
É o virar as costas, não como sinal de querer largar tudo. Mas como sinal de querer o silêncio, a solidão. Para poder irritar-me, gritar, chorar ou simplesmente estar.. sem ninguém perguntar "o que é que se passa?".

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Por vezes, tu és o teu pior inimigo.

Por vezes, consegues magoar-te mais a ti mesma do que qualquer outra pessoa.
Por vezes, tu mesma consegues deitar-te abaixo e pôr-te triste, não precisas da ajuda de ninguém. E és a única que pode tirar-te do fundo do poço, pois tu mesma te colocaste lá.
Só que tem dias que te faltam as forças e pensas: não faz mal passar só um dia cá em baixo.

Mas basta um dia para enlouqueceres e perderes tudo o que conquistaste até hoje.


Às vezes, lutas tanto pela tua felicidade que podes chegar ao ponto de dar cabo dela.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Quando pensas que nada mais te surpreende..

vem a vida e pumba, dá-te outra grande estalada.
Já devíamos de estar habituados a isto, não é? Enfim..

Não vejo a hora de sair daqui, conhecer um mundo novo e pessoas novas. De criar o meu ninho com o mais-que-tudo e recriar a minha zona de conforto com pessoas que eu gosto e me querem bem. Gente má haverá sempre..mas quando estás muito tempo perto de umas, farta..


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Amour


Venho aqui falar do filme "Amour" de Michael Haneke.
Vi-o ontem à noite, apesar de não ser fã de filmes franceses.
Ao início não estava a convencer-me muito. O filme tem partes muito monótonas e paradas, em que fixa determinada pessoa ou uma plateia de um teatro durante dois minutos ou mais. Essas partes dá vontade de adormecer.
Para além disso, a história baseia-se essencialmente neste casal da capa e poucas mais personagens surgem durante o filme. Tem a participação da atriz portuguesa Rita Blanco que apesar de ter um papel pequenino, desempenhou-o muito bem.
Apesar da monotonia (quase) constante do filme, com o desenrolar da história acabamos por nos envolver em todos os acontecimentos e a pensar no futuro, surgindo frequentemente a expressão "e se fosse comigo?..".
Este filme mostra-nos o amour numa perspetiva diferente do que conhecemos e acaba por nos ensinar muita coisa. 
É um filme que fala essencialmente da velhice e das consequências que esta traz à pessoa. Mas também nos faz acreditar que o amour ultrapassa muitas barreiras e faz-nos agir de maneiras que são difíceis de justificar.
Para mim, (quase) enfermeira, levou-me a ver as coisas de maneira diferente e de certeza que este filme terá influência tanto na minha vida pessoal ou profissional. Este filme quase que nos obriga a colocarmos-nos no lugar de um dos personagens e é por isso que se torna tão intenso. Pelo menos tornou-se para mim.
Dei por mim, em muitos momentos, cheia de lágrimas ao ver a dedicação do marido, a paciência mas também os momentos de exaustão que este sentia, ao ver a sua esposa a perder-se dentro do seu próprio corpo.

Com tudo isto, espero ter-vos despertado um pouco de curiosidade sobre o filme. Aconselho vivamente.
E se não gostarem, podem vir aqui queixar-se. Eu percebo.
Acreditem, sei que muitos poderão achar chato logo de início mas peço-vos que aguentem. Aguentem até ao fim e vejam se vale a pena.
Para quem já o viu, deixe aqui a sua opinião :)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Do Futuro: Emigrar

Planear o nosso futuro com tanta antecedência é assustador mas necessário.
O estado em que este país se encontra (que não é novidade para ninguém) obriga-nos a emigrar. 
Faltam-me cerca de 6 meses para terminar a minha licenciatura. 
Licenciatura essa que não me garante trabalho cá, como muitas outras.
Se quero um bom futuro, se não quero ficar em stand by por tempo indeterminado, a minha solução é emigrar.
Ainda hoje falei com um antigo professor que disse-me apenas "agora, quem consegue trabalho logo que acaba o seu curso são os médicos. Só os médicos. Tenho muitos colegas meus (farmacêuticos) a sair daqui para arranjar trabalho".
O que eu digo quanto a isto : feliz daquele que não tem que passar por esta situação. Feliz daquele que, se lhe apetece visitar os pais, tem apenas 10/15min de carro a separá-los.
Tenho 21 anos e em todo o tempo que sonhei com o meu futuro, nunca imaginei que tivesse de ficar tão longe da minha família e é isso que dói. É isso que custa. É isso que nos deixa num impasse.
Ficar longe dos meus é deixar grande parte do meu coração aqui e ir para o destino com um peso nas costas: o peso da insatisfação, da tristeza, da raiva que toda esta situação traz.
Acredito que trabalhar noutro país é uma excelente oportunidade, pagam-nos o que merecemos, somos reconhecidos, exigem ainda mais de nós e investem na nossa formação e evolução profissional. Tudo isto é muito bom, eu sei.
É conhecer outros locais, outras pessoas, ter diferentes recursos, novas oportunidades. É um mundo.
Mas enquanto eu poderei ir para um mundo desses, deixo outro meu mundo aqui.
Dizem-me: "Não sofras por antecipação" mas é fácil falar, como sempre.
O que me vale nisto tudo é, sem qualquer das dúvidas, ter o meu namorado que vai acompanhar-me em todos estes momentos porque ele também está na mesma situação (como muitas outras pessoas) e ter os meus pais e irmão a apoiarem-me, constantemente. A fazerem-me ver o lado bom da situação, a animarem-me e a dizer "nós depois vamos lá, não fica assim tão longe!".

Tudo isto porque o meu futuro está cada vez menos incerto. Se tudo correr bem, para Outubro vou a caminho da Inglaterra. Eu e muitos outros. É a nossa triste realidade.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Do bater de porta em porta

Como já vos falei, tive três dias a bater de porta em porta para conseguir 25 inquéritos preenchidos. Foi mais complicado do que pensava, eu consegui.
Por muitas portas fechadas, houve também muitas boas pessoas, sorridentes, e outras mais sérias que, mesmo mostrando pouca vontade, preenchiam os inquéritos porque percebiam o porquê de todo este trabalho.
Mas passando à frente, incomodava-me mesmo era saber em que condições muitas pessoas vivem. Não é nada que desconheça, dado a crise e tudo o mais mas uma coisa é ouvir no telejornal e outra é ouvir uma, duas, três, x pessoas a dizerem que sobrevivem com 120 euros por mês do trabalho que têm a dias ou que a reforma que recebem nem dá para pagar toda a medicação. E quantos foram os idosos que nos perguntaram: mas já viu se nos tiram a reforma? Como é que uma pessoa sobrevive? Será que isso vai mesmo acontecer?
As pessoas vivem o seu dia-a-dia a contar tostões, a lutar pela sobrevivência e a viverem com o medo constante da hipótese de tudo isto piorar ainda mais.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Das coisas tristes da vida

Acho que muitas poucas pessoas têm noção da quantidade de tentativas de suicídio surgem nas urgências. É, sem dúvida, o que mais me incomoda. Aparecem de todas as idades: a pessoa mais nova com menos um ano do que eu e que, aparentemente, estava feliz. Falava com um grande sorriso mas ninguém sabe o que vai na sua cabeça.
Nestas situações, tento fazer a diferença. Sei que muito do que eu possa dizer será esquecido, mas não consigo estar ali e não dizer nada, não dizer "não faça isto outra vez". 
Há que veja estas tentativas de suicídio um modo de chamar a atenção, eu vejo como um momento de desespero, de aflição, em que nada faz sentido e nada vale a pena. Tentar fazer mudar estes tipos de pensamento, esta perspectiva de vida, requer tempo e paciência. Não se faz isto num dia apenas mas eu gosto de acreditar que essa pessoa vai estar em casa e vai lembrar-se do que eu disse, gosto de pensar que fiz a diferença, por muito pequena que seja.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Das visitas domiciliárias

Hoje foi dia de passar pela casa de não sei quantas pessoas juntamente com a minha enfermeira. São as chamadas visitas domiciliárias, para aquelas pessoas que não têm a possibilidade de ir até ao centro de saúde. 
Foi extremamente interessante e ao mesmo tempo triste. As condições em que as pessoas vivem no bairro que visitei hoje confundem-me. Não é o facto de ser um apartamento pequeno, nem muito menos ter uma falha no tecto. É a arrumação e a limpeza que (não) existe naquelas casas. Coisas em cima de coisas que estão em cima de mais coisas. Para não falar do facto de que, apesar de irmos a casa de uma pessoa para realizar um penso a determinada ferida e conversar com essa pessoa, existem sempre mais problemas a acrescentar. Nestas situações um problema nunca vinha só.
Existem situações mesmo exaustivas, em que é tudo depositado numa pessoa só e, com isso, até essa pessoa fica doente. A situação mais complicada com que me deparei hoje e será essa que vou usar para o meu "estudo" é de uma senhora que é o pilar da casa porque o marido tem obesidade mórbida. Tem uma ferida na sacro que nem vos sei dizer o que é, uma perna que não vos sei explicar como está. Para além do marido, tem duas filhas: uma com síndrome de down e outra com esquizofrenia. Digam-me, como é que conseguiam estar num ambiente assim? 
A senhora faz tudo, cuida de todos, define prioridades e esquece-se de si mesma. É a sua família e ela quer preservá-la. Mas, com tudo isto, sofre agora de depressão tendo já sido internada duas vezes.. E agora..?

Realizar estas visitas domiciliárias faz-me ficar ainda mais grata por todas as pequeninas coisas que tenho na minha vida. Nós queixamo-nos tanto e muitas das vezes sem razão alguma.
 
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