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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O tempo passa e...

perdemo-nos. 
Custa-me, por vezes, ver ao que chegamos no (quase) fim da nossa vida.
Hoje fui visitar uma pessoa ao hospital e no mesmo quarto estavam mais duas senhoras muito idosas, pelo menos aparentemente.
A minha profissão tem muito disto: lidar com o fim de vida. Para mim é a tarefa mais difícil de todas. Não só por lidar com o fim de vida de uma pessoa, relacionar-me com ela e com a sua família, mas também porque faz-me pensar em mim e nos meus.
Será que algum dia hei-de chegar aquele ponto, em que fico toda anquilosada, apenas olho e não respondo, aquele estado em que não sabem se estou a olhar e a compreender, ou a penas a olhar no vazio?
Será que os meus pais vão ficar nesse estado, serei eu capaz de lidar com isso?
Acho tão difícil lidar com estas situações. 
Pergunto-me muitas vezes qual será o pensamento ou sentimento dos familiares próximos, dos filhos, netos, aquando o primeiro internamento da sua mãe, avó. Será medo, tristeza, preocupação? Eu acho que provavelmente é uma mistura de todos estes e muitos outros mais.

Hoje, enquanto estava aparentemente calma e pouco faladora na enfermaria, vieram-me todos estes pensamentos à minha cabeça.
Por vezes pergunto-me que sentido terá a nossa vida para ter um fim assim, por vezes triste e desagradável. Depois facilmente apercebo-me que, provavelmente, se aproveitarmos a vida ao máximo, seguirmos os nossos sonhos, lutarmos pelo impossível, chegaremos ao fim realizados e pouco importa como ficamos. Basta termos vivido a nossa vida ao máximo e não termos deixado nada para trás a não ser aqueles que fazem parte do nosso coração, do nosso sangue, da nossa vida. As nossas sementes. 
Mas esses, possivelmente, estarão muito bem encaminhados se tivermos feito um bom trabalho.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Do bater de porta em porta

Como já vos falei, tive três dias a bater de porta em porta para conseguir 25 inquéritos preenchidos. Foi mais complicado do que pensava, eu consegui.
Por muitas portas fechadas, houve também muitas boas pessoas, sorridentes, e outras mais sérias que, mesmo mostrando pouca vontade, preenchiam os inquéritos porque percebiam o porquê de todo este trabalho.
Mas passando à frente, incomodava-me mesmo era saber em que condições muitas pessoas vivem. Não é nada que desconheça, dado a crise e tudo o mais mas uma coisa é ouvir no telejornal e outra é ouvir uma, duas, três, x pessoas a dizerem que sobrevivem com 120 euros por mês do trabalho que têm a dias ou que a reforma que recebem nem dá para pagar toda a medicação. E quantos foram os idosos que nos perguntaram: mas já viu se nos tiram a reforma? Como é que uma pessoa sobrevive? Será que isso vai mesmo acontecer?
As pessoas vivem o seu dia-a-dia a contar tostões, a lutar pela sobrevivência e a viverem com o medo constante da hipótese de tudo isto piorar ainda mais.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Da vida

Quando chegar à altura em que os "amanhã" sejam muito menos do que os "ontem", quero sentir que vivi, amei, construí família, fortaleci laços, acreditei e lutei pelos meus sonhos e que acima de tudo fui feliz. 
O futuro começa com o presente, eu estou a construí-lo agora e estou a lutar pela minha felicidade contigo, amor. Que cheguemos ao fim juntos, muito velhinhos, enrugadinhos, com um sorriso amoroso sem dentes. Dois velhinhos sem dentes felizes a olhar para a grande família que sonhamos construir.
Não há pensamento que me acalme mais do que imaginar a nossa longa vida juntos.
 
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