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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Do bater de porta em porta

Como já vos falei, tive três dias a bater de porta em porta para conseguir 25 inquéritos preenchidos. Foi mais complicado do que pensava, eu consegui.
Por muitas portas fechadas, houve também muitas boas pessoas, sorridentes, e outras mais sérias que, mesmo mostrando pouca vontade, preenchiam os inquéritos porque percebiam o porquê de todo este trabalho.
Mas passando à frente, incomodava-me mesmo era saber em que condições muitas pessoas vivem. Não é nada que desconheça, dado a crise e tudo o mais mas uma coisa é ouvir no telejornal e outra é ouvir uma, duas, três, x pessoas a dizerem que sobrevivem com 120 euros por mês do trabalho que têm a dias ou que a reforma que recebem nem dá para pagar toda a medicação. E quantos foram os idosos que nos perguntaram: mas já viu se nos tiram a reforma? Como é que uma pessoa sobrevive? Será que isso vai mesmo acontecer?
As pessoas vivem o seu dia-a-dia a contar tostões, a lutar pela sobrevivência e a viverem com o medo constante da hipótese de tudo isto piorar ainda mais.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Da incompetência dos nossos serviços de saúde.

Ora bem, há precisamente 21 dias atrás o meu pai caiu e ficou com dor intensa no ombro. Dirigiu-se ao serviço de urgência, foi visto pelo médico que mandou fazer um raio-x o qual foi observado posteriormente. Olhou e analisou, concluindo que o meu pai não tinha nem fratura ou muito menos uma luxação. 
Lá veio o meu velho (que não é velho, é só a minha maneira fofa de o chamar) com uma prescrição de 2 anti inflamatórios em comprimido que, passado uma semana a tomá-los, não serviram de nada.
Então, como a dor não melhorava, voltou ao serviço de urgência e foi visto por outro médico. Chegou lá às 4h da manhã e foi atendido às 6h porque a médica estava na sua hora de descanso (ha ha ha)...
"Ah e tal, não tem nada de especial. Uma tendinite aí no ombro." 
E lá veio o meu pai com uma prescrição de 2 anti inflamatórios intra musculares (que eu tive o prazer de administrar com muito carinho no eu rabiosque) e um penso transdérmico para aliviar a dor.
Passado uma semana, terminado o tratamento com esta medicação, a dor continua a mesma (ou pior).
Com isto, o meu pai foi a outro médico que disse-lhe que não tocava no meu pai porque via-se perfeitamente que estava fraturado (pela postura, etc.) e que o meu pai devia dirigir-se a um ortopedista.
Dado esta crise em que estamos, não há grandes luxos para ir a médicos privados pagar 50 euros para consulta e outros 50 para os exames a realizar (se não mais..) e, por isso, lá foi hoje o meu pai para o serviço de urgência pela terceira vez.
Levei-o até lá (porque até conduzir custa-lhe) e no percurso fomos treinando o discurso dele. 
"O pai diz que veio aqui à primeira vez, o que fizeram e o que prescreveram. Diz que veio segunda vez, o que fizeram e o que prescreveram. E depois fala do que o médico disse-lhe. Não mexa o braço! Nada mesmo. Tem que ser assim para eles perceberem o que se passa. Se o pai disser que consegue mexer qualquer coisa, eles vão tentar despachar."
Foi logo visto pelo médico, não levou uma hora no serviço de urgência e tem uma fratura no ombro. Resultado: está de baixa até 3 de Janeiro, com o braço suspenso.
Há males que vêm por bem. Como o meu pai trabalha de noite, não ia passar o fim-de-ano connosco. Agora vai.

Mas isto é mesmo uma vergonha.
 
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