Então têm que visitar o site do Groupon. Basicamente é um local onde encontram imensos vouches, descontos e promoções em todas as áreas imagináveis, estejam onde estiverem.
Há uns dias comprei 4 batons da Calvin Klein por apenas 6 libras. E sim, são da CK, muito bons e hidratantes para os lábios.
Tem promoções também para estadias e, aqui no Reino Unido, até promoções de pacotes de casamento no Lake Distric tem.
Estou de folga há quatro dias. Volto amanhã ao trabalho: sábado e domingo trabalho das 7h15 as 21h e segunda, terça, quarta e quinta faço noite (das 20h30 às 8h).
Falei com a minha mãe hoje no skype, videochamada.
Quando ela me vê diz que estou com ar de cansada, morta-viva. "Essa não é cara de quem está de folga há quatro dias", dizia ela.
Se ando a dormir bem? Ando sim!
Se faço imensa coisa durante o dia? Nem por isso. Faço o que é preciso. E distribuí muito bem durante estes dias de folga!
Porque é que estou com esta cara de cansada e um peso na cabeça/olhos de quem anda a trabalhar 24/7? Não faço a mínima ideia.
Só aqui entre nós, eu penso que são os ares de terras inglesas que me fazem mal.
Ah...! e a minha mãe também disse que se eu não usar maquilhagem para o trabalho e eles me virem assim au naturale, vão pensar que: "estou mesmo muito cansada e preciso de férias" ou "estou a entrar em depressão".
O que é que acham? Uma conversa para levantar aqui o ego da Amora não?
Mas lá que demos umas boas gargalhadas, demos.
Estou mais que entusiasmada para este Natal e fim-de-ano. O segundo cá no UK, longe da família, mas com muito mais brilho.
Vida mais estabilizada, feliz no trabalho, feliz com a minha casa, com o meu mais-que-tudo.
Entusiasmada com este Natal porque sei que, modéstia à parte, esmerei-me nas prendas para o namorado. Vai ficar todo contente, espero eu! Sei que Natal não são as prendas mas sim a convivência com a família, com os nossos. Mas ele merece e só quero vê-lo sorrir!
Estou mesmo entusiasmada por ele haha
E amanhã vou buscar a minha cunhadinha! Estou super feliz. Um membro da família a passar o Natal e fim-de-ano connosco.
Como já devem de ter visto no meu facebook do blog (se não estão a seguir, passem por lá - é só clicar no ícone do facebook debaixo do meu perfil), encontramos casa.
Caiu-nos assim do céu. Uma enfermeira que trabalha comigo e que tem acompanhado os meus baixos nesta jornada ficou, por sorte, com uma das casas que ela estava a arrendar a dois farmacêuticos disponível exatamente na altura que precisávamos. E a casa é exatamente o que nós estávamos a idealizar.
Queríamos algo espaçoso mas não demasiado para não sentirmos a casa vazia. Queríamos quartos para poder receber a família que possa vir de Portugal. Ou os amigos que temos espalhados pelo Reino Unido.
Queríamos uma casa, não um apartamento. Porque vivemos agora num apartamento e não gostamos muito de estarmos sempre a ouvir o vizinho do andar de cima a fazer o amor ou os miúdos a correr que nem malucos.
Queríamos um jardim. Para plantar uma ou outra flor e fazer churrascos no verão.
Queríamos uma casa que soubéssemos que tinha tudo o que precisamos agora ou que poderíamos precisar no futuro. Porque a realidade é que não sabemos quantos anos vamos ficar por cá.
Queremos voltar para a nossa terra? Claro que sim. Mas não sabemos o que o futuro nos reserva. É tudo demasiado incerto e temos aprendido isso ao longo destes oito meses. Sim, já lá vão oito meses a viver no Reino Unido.
E, como estava a dizer, esta casa é exatamente o que queríamos (ou eu queria haha). Estou mesmo, mesmo feliz. Dia 1 de Julho começamos com as mudanças. E, se deus quiser, já nesse dia passamos a viver lá e deixamos este pequeno apartamento para trás. Não quero saber se vou ter montes de coisas jogadas por todo lado, não me importo. Quero começar de novo. Esta experiência do nosso primeiro o emprego no Reino Unido será para esquecer no segundo após terminarmos o nosso último turno (e, como já referi no post anterior, quando tudo isto acabar posso falar sobre o que eu e o meu namorado passamos).
Mas bem.. vamos viver na mesma cidade mas mudar de área, perto do hospital - o nosso futuro local de trabalho! Aliás, a nossa casa fica mesmo em frente ao hospital. Pode parecer estranho para vocês mas agrada-me tanto!
É uma zona muito gira, as sirenes não nos vão incomodar uma vez que eles as desligam quando estão perto das redondezas do hospital, e vamos para o trabalho a pé.
Não podia estar mais feliz com isto. Estou ansiosa para voltar a organizar o nosso novo lar. E espero bem que esta seja a última vez que tenha que mudar de casa. É já a segunda vez e quero que seja a última. Se houver próxima, que seja quando voltar para a Madeira.
E fico-me por aqui, se não acabo por escrever um post do tamanho de um livro e não é isso que ser quer.
Há coisa de 6 meses atrás (mais precisamente 6 meses e 4 dias) eu emigrei. Como muitos enfermeiros emigraram. Como muitos mais Portugueses emigraram. E chorei.
Chorei por deixar a minha família, principalmente. Chorei por deixar a minha ilha, o meu quarto com parede vermelha, os meus livros, a minha caricatura, o meu cantinho. Chorei por não poder exercer a minha profissão no meu país. Chorei porque os meus pais e irmão choraram. Chorei porque ia para um sítio desconhecido. Outra língua, outras pessoas. E chorei muito.
Nessa noite antes da grande ida, dormi com os meus pais. Não tenho vergonha de dizê-lo. A tristeza era muita e o medo também. Não conseguia adormecer, sentia vontade de vomitar devido ao nervosismo. E chorava. Dormir com eles foi a única maneira de me acalmar.
Isto é muito díficil.
Pensem bem: a vida é feita de mudanças, transições e adaptação. Mas não assim tudo de uma vez. A lei da vida (que agora não serve de nada) é crescer, tirar um curso (ou não), arranjar trabalho, uma relação e mudar de casa. De um modo progressivo. Agora não é bem assim.
De um momento para outro, acabaste a licenciatura. E agora? - perguntas.
Agora, como muita gente faz, emigras. Mudas de país, de língua, de casa, de vida. Emigrar não é fácil. Não é fácil por deixarmos a família, sim. E não é fácil lá. Seja no Reino Unido ou outro sítio qualquer. Não é fácil adaptar-se, arranjar um cantinho a que possas tratar de lar doce lar. Viver para além do "casa-trabalho, trabalho-casa". É difícil.
E é ainda mais díficil quando não calhas no sítio certo. Quando sentes que por seres emigrante, porque o teu país vive com dificuldades, eles pensam que podem abusar de ti. Que só pensas em dinheiro e por isso podes esfarrapar-te a trabalhar. Quando pensam que por seres emigrante ou por seres Português és estúpido e podem enganar-te.
Mas, na vida, aprende-se com os nossos próprios erros, com as nossas cabeçadas na parede. E temos sempre que tirar os aspetos positivos naquelas alturas em que a nossa vida não é mesmo um mar de rosas. É daí que vem a nossa força.
Amanhã vou voltar ao Reino Unido. Por esta altura ando a voar pelos céus estrelados. Esperam-me mais uns meses de luta, de trabalho e, espero eu, de mudanças. Mas para além disto, esperam-me momentos a dois com o meu mais-que-tudo, que me tem acompanhado nesta jornada pela vida. Com o nosso gato Leo. E no nosso lar doce lar, pequenino e acolhedor.
Amanhã vou chorar novamente. Porque vou, novamente, deixar a família por alguns meses. Porque agora não vou para o desconhecido. Vou sim para algo que sei bem o que é. E, infelizmente, esta é também uma razão para chorar.
Talvez da próxima vez que voltar a minha ilha e tiver que regressar a terras de sua Majestade seja diferente. A minha mãe diz que só me custa tanto voltar não só porque deixo a família e vou sentir saudades mas também porque não estou a gostar do sítio onde estou a trabalhar e talvez ela tenha razão.
Mas vou. Na esperança de melhorar. E vou lutar por isso. Porque a vida não é feita de desistências. A vida é feita de luta e aprendizagem. Sei que os meus pais, irmão e namorado têm orgulho em mim. Tal como eu tenho neles.
Eu espero um dia contar a minha (a nossa) história aos nossos filhos com orgulho. E que eles sintam tanto orgulho em mim como eu hei-de sentir por eles.
Eu vou, mas volto. Como os meus pais me disseram há 6 meses e 4 dias atrás, eu vou mas não morri. Eu volto. Vou abraçá-los de novo, enchê-los de beijos e viver boas memórias a acrescentar às que já existem. E daí a música no início. É de chorar quando há aqueles que vão e não voltam. Deixam a saudade, a vontade de ter mais tempo com eles e as memórias. E isso dói.
Eu vou, mas volto. (E isto podia dar muito bem o título de um livro. Se é que já não existe.)
Hoje, no Mural da Liberdade, um jovem fala da sua escolha pela poligamia.
Eu não entendo e, sinceramente, nem tenciono entender.
Tal como eu sou livre desta escolha, os outros são livres de optar também. Mas não me venham pedir para entender isto e falar das vantagens que isso a mim não me interessa.
Na minha opinião, não há nada mais gratificante do que ser amada por uma pessoa, saber que essa pessoa se sente preenchida só e só comigo. Sentir que os dois somos um e nada mais é preciso.
Mas, como disse, cada um é livre de escolher o que quer para si.
Fica aqui o site com a reportagem para quem perdeu. É só clicar na foto e são para lá redirecionados.
Já lá vai algum tempo que não escrevo por cá. Às vezes até tento, começo com qualquer coisa e depois acabo por desistir. Estas últimas semanas têm sido uma montanha russa.
Decidi que vou tentar encontrar trabalho num hospital (estou atualmente a trabalhar num lar já lá vão 5 meses e não estou a gostar). Tomada essa decisão decidi falar com a boss só para lhe dar conhecimento do que se estava a passar comigo, da minha ideia para o futuro. Tudo para que quando lhe entregasse a carta de despedimento, ela não fosse apanhada de surpresa.
Acontece que apesar de eu ter sido corajosa e até honesta com ela, a conversa não correu bem. Mas isso é outra história que prefiro nem falar, não vale a pena.
Apesar da conversa não ter corrido bem e de eles tentarem "assustar-me" com o que diziam, não mudei de ideias e já enviei vários currículos para o hospital. Passaram apenas 4 dias desde que enviei, contando com o fim-de-semana. Até agora ainda não recebi nenhum e-mail para entrevista mas tenho esperança que vou receber. Se não, continuo a tentar. Ali é que não fico.
Embora tudo isto esteja a acontecer, estou muito, muito feliz. Estou de consciência tranquila porque felizmente disse à patroa o que me ia na alma e estou a lutar, novamente, por mim. Para encontrar um local de trabalho onde eu esteja lá e me sinta feliz, em que não veja o trabalho como algo que faço por obrigação (embora também seja) mas sim como algo que faço por gosto.
Estou feliz no meu lar-doce-lar, o nosso apartamento pequenino e acolhedor e o nosso gato lindo Leo que está cada vez maior e mais asneirão. Estou feliz com as minhas e as nossas descobertas. Estou feliz porque estou a aprender muito com os meus erros e estou a crescer, a tornar-me uma pessoa melhor.
E por fim estou feliz porque faltam apenas 5 dias para estar de volta a casa por duas semanas!! Domingo, dia 30 de Março, volto à minha Ilha linda, à minha família! Por duas semanas. Sim, não é muito tempo. Mas será o suficiente para matar saudades e vir com mais força para enfrentar o mundo!!
Uma semana e meia sem internet e TV pareceu uma eternidade. É bom o sossego por uns dias mas depois começas a sentir falta. A sentir saudades das tuas séries, de ler os blogs, ou até mesmo as notícias da tua terra quando estás "do outro lado do mundo".
Como vos disse, arranjei um apartamento novo, fofinho que só ele. Mudei-me dia 10 e só esta semana é que tudo se está a assentar. Temos tido umas semanas complicadas, em que os nossos dias de folga não são folgas porque ou estamos a montar a nossa mobília, ou estamos a tratar de mudar moradas, comprar máquina de lavar roua e tudo o mais. Estas últimas (quase) duas semanas foram muito cansativas mas valeu a pena. Agora temos o nosso cantinho, o nosso ninho. Só nos falta a mesa de jantar e a máquina de lavar que estão aí a chegar. Mal posso esperar para ver tudo direitinho e perfeitinho.
Quando estiver tudo completo, coloco aqui umas fotos! Porque isto não é apenas um blog, é o meu diário. E quero voltar a lê-lo daqui a uns bons anos e lembrar-me de cada pormenor, de cada sentimento pelo qual passei em certas fases da minha vida.
Ah, e já vos disse que volto a abraçar a minha família daqui a dois meses? DOIS?! Mal posso esperar!
E agora reparei que o blog ainda está com aspeto natalício, deixem-me lá ir mudar isso.
Já estou a voltar a estas andanças do mundo dos blogs, escrevendo com mais frequência e chateando-vos mais vezes no Facebook do blog. Ainda não o conhecem?!
É só clicar aqui:
Agora vou andar para o trabalho. Rezem por mim! Que a noite passe depressa e que todos os utentes durmam bem e descansadinhos!
Não vejo o meu mais-que-tudo há aproximadamente 24h. Não o vejo nem o oiço. Vou sair para trabalhar e ele chega a casa. Nem nos encontramos pelo caminho. E só o vejo amanhã de manhã quando sair da noite. Para vocês pode parecer pouco mas para mim não. Ele é a minha companhia diária, a minha razão de aceitar este desafio e andar para a frente todos os dias com um sorriso na cara. Um dia sem ele para mim não é o mesmo. A minha vida sem ele já não tem o mesmo brilho.
Não o vejo há 24h e estou a morrer de saudades.
Só quero que o amanhã de manhã chegue depressa para cair na cama enrolada nos seus braços. Não há melhor sensação do Mundo do que essa.
Tomar um duche, agarrar-me ao namorado a ver uma série ou outra. Preparar o jantar para as 19h15 e sair de casa às 19h45 para uma noite de 12 horas. E não é só uma. Vou fazer três noites seguidas. Ou seja, chego amanhã de manhã, durmo até sei lá que horas, e às 19h45 tenho que estar pronta para mais uma noite e no dia seguinte mais do mesmo! Espero me aguentar bem e espero que passe rápido!
Acendam uma velinha, vá. Sei que há muita gente que faz isto com uma perna às costas mas é a minha primeira vez. E a verdade é que eu durmo muito pouco quando chego a casa por isso é que digo que pode ser difícil de me aguentar. Mas com umas bolachinhas e muitos chocolates durante a noite para me dar energia, eu vou lá!
Se estivesse em casa, já estaria a chatear a mãe para começarmos com as decorações de Natal. Como estou por minha conta, posso começar quando quiser mas a verdade é que tenho que começar do zero.
Ora bem, a árvore de Natal e as suas decorações já cá cantam. Até já está montada, decorada e acendemos as luzes ao fim do dia. Mas a verdade é que ainda não lembra a Natal cá em casa. Faltam os pequenos pormenores, as pequenas coisas espalhadas pelos cantos da casa que fazem um conjunto perfeito e o espirito natalício reinar em casa.
Não sei se vou conseguir comprar essas decorações a tempo, dado o meu horário muito folgado (ui ui.. perceberam a ironia?). Mas se o fizer, prometo que partilho fotos. Mesmo que vocês não estejam interessados (haha).
Depois de amanhã deixo as pessoas que enchem o meu coração e a minha vida - o meu pai, a minha mãe e o meu irmão.
Depois de amanhã começo uma nova etapa e provavelmente a mais difícil da minha vida.
Não estou preparada, não quero ir e já está a ser muito difícil.
Já choro, já tenho "uma bola na barriga" que me impede de comer, já olho para tudo e todos cá em casa com saudades.
Vivo estes dias com um aperto no peito e um peso na consciência de deixar os meus para trás. Porque apesar de ser preciso, sinto sempre que poderia haver outra solução. Mas a verdade é que as que existem não são nada satisfatórias.
Espero que corra bem, espero superar as saudades. Mas acima de tudo espero que os meus pais e o meu irmão fiquem bem, que também se adaptem bem e que sintam orgulho de mim. Porque sei que no fundo eles pensam que o meu lugar é aqui com eles e é. Pode não ser na mesma casa, na mesma freguesia, mas deveria ser muito mais perto do outro país.
Mas este é o meu destino, por enquanto. Vou arriscar, largar, chorar, chorar muito. Vou estar triste, vou arranjar forças não sei onde para me adaptar. Vou ver se gosto do trabalho, do local. E sei que se algo correr mal, vou tê-los sempre aqui à minha espera.
Não sei quando volto a escrever pois não sei se vai apetecer-me e nem sempre vou ter internet disponível. Não sei o que vai acontecer no momento em que virar as costas e ir em direção a outro destino.
Só espero que Deus me dê força, a mim e aos meus amores que ficam cá, e ao meu amor que vai comigo. Ele vai ser a minha força lá. É o meu melhor amigo e será ainda mais. Será a minha companhia e o meu pilar, ainda mais do que tem sido. O destino agora é nosso.. vamos esperar pelo melhor.
Só espero que esta "bola na barriga" passe e a vontade de vomitar constantemente desapareça. O resto, o resto logo se vê.
Já começou a chuva pelas minhas terras e que saudades tinha dela!
O calor acaba por aborrecer-me um pouco, quando é em demasia. Felizmente já se faz sentir a chegada do Outono!
E não podia deixar de me lembrar que daqui a menos de um mês já não estou cá e isso aperta-me o coração. Sim, eu sei que vou ter trabalho, vou ser muito mais reconhecida do que por cá e vou ganhar muito mais. Mas ter a família longe faz com que tudo isto pareça uma tortura e não uma conquista.
Como têm me vindo a dizer, é uma questão de adaptação e tudo se consegue. E eu só acredito vendo.
O blog vai ser o meu diário, muito mais do que tem vindo a ser. Não se admirem de que este assunto da emigração e as saudades e o choro sejam tema constante cá pelo blog. Acho que vai ser uma das estratégias para lidar com todas estas mudanças.
Se alguém estiver a passar (ou já passou) pelo mesmo que eu, partilhem a vossa vivência se assim o quiserem.
Queixo-me várias vezes que o mano mais novo já com os seus 17 anos, não faz nada cá em casa - nem lavar a loiça.
Naqueles dias em que surge-lhe uma enorme vontade de ajudar a mana mais velha, como hoje, em que levanta-se e diz "Bem, vou lavar a loiça hoje.", eu digo "Deixa estar que eu lavo..".
Porque só o fato de ele se oferecer para ajudar para mim significa muito e também porque sei que ele ia não só lavar a loiça como também o chão da cozinha. Porque toda a mulher sabe que nem todos os homens nascem com o dom para "dono-de-casa-de-vez-em-quando".
Hoje eu deixei passar a oferta e lavei a loiça. E dei por mim a pensar: depois queixo-me que ele não faz nada, devia de ter aproveitado esta maré de boa disposição.
Para a próxima ele não se safa, não vai ficar só pela oferta.
O dia está cada vez mais perto e não consigo sentir-me totalmente feliz. Não é a adaptação que me preocupa. É o deixar a minha família linda, maravilhosa, querida e perfeita.
Vamos estar longe, mas sempre perto. Vai custar-me tanto que nem sei como vou ser capaz. Mas se os outros conseguem, eu também consigo.
Como diz a minha mãe "Queres ficar cá e sentir-te frustrada por trabalhares num supermercado?". Isto não porque é mau trabalhar num supermercado mas porque eu estudei, esforcei-me e quero exercer aquilo para o qual me "esfolei" a trabalhar.
Bem.. as coisas mudam mas a vida continua. Vamos ver como é que vai correr.
Custa-me, por vezes, ver ao que chegamos no (quase) fim da nossa vida.
Hoje fui visitar uma pessoa ao hospital e no mesmo quarto estavam mais duas senhoras muito idosas, pelo menos aparentemente.
A minha profissão tem muito disto: lidar com o fim de vida. Para mim é a tarefa mais difícil de todas. Não só por lidar com o fim de vida de uma pessoa, relacionar-me com ela e com a sua família, mas também porque faz-me pensar em mim e nos meus.
Será que algum dia hei-de chegar aquele ponto, em que fico toda anquilosada, apenas olho e não respondo, aquele estado em que não sabem se estou a olhar e a compreender, ou a penas a olhar no vazio?
Será que os meus pais vão ficar nesse estado, serei eu capaz de lidar com isso?
Acho tão difícil lidar com estas situações.
Pergunto-me muitas vezes qual será o pensamento ou sentimento dos familiares próximos, dos filhos, netos, aquando o primeiro internamento da sua mãe, avó. Será medo, tristeza, preocupação? Eu acho que provavelmente é uma mistura de todos estes e muitos outros mais.
Hoje, enquanto estava aparentemente calma e pouco faladora na enfermaria, vieram-me todos estes pensamentos à minha cabeça.
Por vezes pergunto-me que sentido terá a nossa vida para ter um fim assim, por vezes triste e desagradável. Depois facilmente apercebo-me que, provavelmente, se aproveitarmos a vida ao máximo, seguirmos os nossos sonhos, lutarmos pelo impossível, chegaremos ao fim realizados e pouco importa como ficamos. Basta termos vivido a nossa vida ao máximo e não termos deixado nada para trás a não ser aqueles que fazem parte do nosso coração, do nosso sangue, da nossa vida. As nossas sementes.
Mas esses, possivelmente, estarão muito bem encaminhados se tivermos feito um bom trabalho.