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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O tempo passa e...

perdemo-nos. 
Custa-me, por vezes, ver ao que chegamos no (quase) fim da nossa vida.
Hoje fui visitar uma pessoa ao hospital e no mesmo quarto estavam mais duas senhoras muito idosas, pelo menos aparentemente.
A minha profissão tem muito disto: lidar com o fim de vida. Para mim é a tarefa mais difícil de todas. Não só por lidar com o fim de vida de uma pessoa, relacionar-me com ela e com a sua família, mas também porque faz-me pensar em mim e nos meus.
Será que algum dia hei-de chegar aquele ponto, em que fico toda anquilosada, apenas olho e não respondo, aquele estado em que não sabem se estou a olhar e a compreender, ou a penas a olhar no vazio?
Será que os meus pais vão ficar nesse estado, serei eu capaz de lidar com isso?
Acho tão difícil lidar com estas situações. 
Pergunto-me muitas vezes qual será o pensamento ou sentimento dos familiares próximos, dos filhos, netos, aquando o primeiro internamento da sua mãe, avó. Será medo, tristeza, preocupação? Eu acho que provavelmente é uma mistura de todos estes e muitos outros mais.

Hoje, enquanto estava aparentemente calma e pouco faladora na enfermaria, vieram-me todos estes pensamentos à minha cabeça.
Por vezes pergunto-me que sentido terá a nossa vida para ter um fim assim, por vezes triste e desagradável. Depois facilmente apercebo-me que, provavelmente, se aproveitarmos a vida ao máximo, seguirmos os nossos sonhos, lutarmos pelo impossível, chegaremos ao fim realizados e pouco importa como ficamos. Basta termos vivido a nossa vida ao máximo e não termos deixado nada para trás a não ser aqueles que fazem parte do nosso coração, do nosso sangue, da nossa vida. As nossas sementes
Mas esses, possivelmente, estarão muito bem encaminhados se tivermos feito um bom trabalho.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Fim do Diário de uma Rapariga Hospital #4

Felizmente foi sol de pouca dura.
Estou agora no conforto do meu lar com o mais-que-tudo e sabe tão bem.
Já recuperei as energias e dormi um bocadinho.
Agora é água, muita água. E tomar a medicação a horas certas e, se Deus quiser, isto não há-de voltar tão cedo.

Obrigada por todos os comentários :)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Amour


Venho aqui falar do filme "Amour" de Michael Haneke.
Vi-o ontem à noite, apesar de não ser fã de filmes franceses.
Ao início não estava a convencer-me muito. O filme tem partes muito monótonas e paradas, em que fixa determinada pessoa ou uma plateia de um teatro durante dois minutos ou mais. Essas partes dá vontade de adormecer.
Para além disso, a história baseia-se essencialmente neste casal da capa e poucas mais personagens surgem durante o filme. Tem a participação da atriz portuguesa Rita Blanco que apesar de ter um papel pequenino, desempenhou-o muito bem.
Apesar da monotonia (quase) constante do filme, com o desenrolar da história acabamos por nos envolver em todos os acontecimentos e a pensar no futuro, surgindo frequentemente a expressão "e se fosse comigo?..".
Este filme mostra-nos o amour numa perspetiva diferente do que conhecemos e acaba por nos ensinar muita coisa. 
É um filme que fala essencialmente da velhice e das consequências que esta traz à pessoa. Mas também nos faz acreditar que o amour ultrapassa muitas barreiras e faz-nos agir de maneiras que são difíceis de justificar.
Para mim, (quase) enfermeira, levou-me a ver as coisas de maneira diferente e de certeza que este filme terá influência tanto na minha vida pessoal ou profissional. Este filme quase que nos obriga a colocarmos-nos no lugar de um dos personagens e é por isso que se torna tão intenso. Pelo menos tornou-se para mim.
Dei por mim, em muitos momentos, cheia de lágrimas ao ver a dedicação do marido, a paciência mas também os momentos de exaustão que este sentia, ao ver a sua esposa a perder-se dentro do seu próprio corpo.

Com tudo isto, espero ter-vos despertado um pouco de curiosidade sobre o filme. Aconselho vivamente.
E se não gostarem, podem vir aqui queixar-se. Eu percebo.
Acreditem, sei que muitos poderão achar chato logo de início mas peço-vos que aguentem. Aguentem até ao fim e vejam se vale a pena.
Para quem já o viu, deixe aqui a sua opinião :)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Ontem fui ao Serviço de Urgência

Depois de umas duas horas à espera do resultado das análises e raio-x, saí de lá igual no que toca a saúde mas mais leve: paguei 31 euros devido às taxas.
Quando a senhora da secretaria me disse o valor, a única coisa que me saiu foi: "Graças a Deus! Têm multibanco? Não tenho essa quantia na carteira". E pensei: quase que saía mais barato ir ao médico privado.
E a isto adicionem 12 euros de medicação (antibiótico, antieméticos e afins..).

É a vida..

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O que mais me dizem nas urgências.

#1 - A menina é tão novinha! (com um sorriso na cara e desatam à conversa comigo) 
e
#2 - A menina é tão novinha.......ish, jesus.. (com cara de "oh meu deus ela não deve saber e vai picar-me, vou ficar com agulhas em todo o lado!")

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Das Urgências #2

Hoje, como disse, fiz o meu primeiro turno e gostei imenso! Vemos de tudo, fazemos de tudo (desde que esteja preparado para) e aprendemos imenso. Hoje estive um pouco mais parada do que será o normal mas mesmo assim o tempo passou a voar. Gostei imenso do ambiente que se vive em equipa, deixam-nos muito à vontade e isso ajuda imenso. Quando cheguei acho que até me esquecia de respirar tal era o nervosismo mas depressa acalmei. 
Correu tudo sobre rodas (acredito que terei dias bem piores) e estou pronta para outro turno. Está a ser bom mas poderia ser melhor se tivesse a possibilidade de encontrar o meu mais-que-tudo pelos corredores ou do outro lado da sala, mas não se pode ter tudo. (suspiro....)
 
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